Escrito por Rodrigo Gasparini FrancoA reforma tributária entra em vigor neste ano e traz mudanças diretas para micro e pequenas empresas, que representam a maior parte dos empregos formais do país. A promessa é de simplificação e mais competitividade, mas o impacto real dependerá de como cada empreendedor se preparar para o novo sistema. Entender as mudanças e agir rápido pode evitar surpresas na carga tributária e abrir oportunidades de crescimento.
O principal ponto da reforma é a criação de dois impostos sobre valor agregado: a CBS (federal) e o IBS (de estados e municípios), que substituirão PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS. Para quem está no Simples Nacional, o regime simplificado continua, mas com uma novidade estratégica: a partir deste ano, pequenos negócios poderão, em certas condições, destacar CBS e IBS nas notas fiscais e gerar créditos para seus clientes. Isso elimina uma barreira histórica para entrar em grandes cadeias de fornecimento. Na prática, empresas do Simples que vendem para indústrias, redes varejistas ou grandes prestadores de serviços deixam de ser vistas como "menos interessantes" por não gerarem crédito tributário. A reforma abre essa porta, mas exige que o empreendedor abra mão de parte da simplicidade atual, apurando tributos específicos. A decisão precisa de cálculo, simulação e orientação especializada. A primeira dica é não esperar: converse já com seu advogado sobre cenários possíveis. Vale a pena destacar CBS e IBS nas notas? Há vantagem em permanecer no Simples tradicional? Qual o impacto nas margens? Simulações baseadas no faturamento real e na estrutura de custos são essenciais para transformar a reforma em oportunidade. A segunda orientação é investir em digitalização. Quem ainda trabalha "no papel" ou em planilhas improvisadas deve adotar um sistema simples de gestão e emissão de notas, integrado a profissionais de contabilidade e assessoria jurídica. A reforma promete reduzir burocracias e padronizar obrigações, mas a transição exige adaptação de sistemas eletrônicos. Para microempreendedores individuais, a terceira dica é usar o início de 2026 para regularizar CNPJ, organizar emissão de notas e separar contas pessoais das empresariais. Em um ambiente tributário mais digital, a informalidade terá custo maior. A quarta recomendação é acompanhar as discussões sobre alíquotas e benefícios setoriais por meio de sindicatos, Sebrae e entidades empresariais. Quanto mais organizado o segmento, maiores as chances de proteção aos menores negócios. Por fim, a quinta dica é reforçar o controle de caixa e custos. Ter dados de faturamento, ticket médio e margens ajuda a revisar preços com segurança caso os tributos efetivos mudem. Com a reforma em andamento, micro e pequenas empresas enfrentam um cenário ambíguo: o novo sistema pode simplificar e abrir mercados, mas também punir quem permanecer desorganizado. Informação qualificada, apoio profissional e investimento em gestão separarão quem sofrerá da mudança de quem transformará a nova realidade em vantagem competitiva.
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January 2026
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